oromo

domingo, outubro 29, 2006

A carta

Os dedos masculinos tremeram enquanto seguravam a carta que ela lhe enviara.
« Estimado Lucas:
Creio-me no dever de ser eu a dar-te a noticia.Compremeti-me.Trata-se de Carlos.Em princípio foi por simples amizade e depois surgiu sem saber como, o amor.Pensei que deveria ser eu a comunicar-te,para que não viesses a sabe-lo por outra pessoa e a notícia te supreendesse.
Afinal,guardo boas recordações de ti e devemos considerar-nos amigos.Espero que as coisas te corram bem aí em Lisboa e que.. já tenhas encontrado ou encontresem breve a mulher que saberá fazer-te feliz.desejo-to de coração.

Recebe o afecto de,
Marta.»

Quando o Lucas acabou de ler a carta,ficou uns instantes pensativo.não o afectara muito.sem dúvida porque conhecera outras raparigas,em particular uma comquem saía frequentemente.Isso costumava a contecer com a ausência,pois a recordação vai se extinguindo e surge sempre alguém junto de nós cuja presença se torna valiosa.
Sorriu dizendo por entre dentes:
Carlos...ora..!quem haveria de supor?É um rapaz de origem humilde e Marta,tão fina,tão selectiva,tão esmeradamente educada,..Sorriu para si próprio. Enquanto se dirigia para o escritório.Talvez esse casamento tenha êxito,talvez não.
A educação de ambos actualmente pode estar igualada,mas as raízes...podem fazer saltar a faísca e esta saltar à cara...Bom,isso agora não tem importância.
Creio que as mulheres admiram mais os homens que que se fazem por si próprios...
Lucas encolheu ligeiramente os ombros, com resignação.
desejo-lhe que seja muito feliz.
Afinal,se tivesse casado comigo,e viesse viver para lisboa,teria sido aborrecido que estivesse continuamente ansiando em viver no Porto.
Talvez que isso tivesse sido motivo de discórdias.
Sentou-se,pegou em papel e numa esferográfica e pôs-se a escrever:

«Querida Marta:
Agradeço-te a atenção que tiveste em comunicar-me directamente a noticia.Fizeste muito bem,com efeito,pois eu podia ir aí e sentir-me pouco avontade.Do coração te desejo que sejas muito feliz.Não te guardo rancor,de modo algum.Compreendo a tua posição,tal como tu deves compreender aminha.Cada qual escolheu o seu caminho.Carlos soube lutar corajosamente,todos sabemos.Nada tenho contra ele.Desejo que se compreendam e não tenhas que lamentar a tua decisão.

Recebe o meu mais sincero afecto,
Lucas.»

Depois dobrou a carta,meteu-a no envelope,escreveu a direcção e meteu-a no bolso para envia-la logo que saísse.Depois diridiu-se para o telefone e marcou um número.talvez necessitasse imperiosamente de efectuar aquela chamada para apagar completamente as recordações.Naõ queria tornar-se sentimental e pensar naquele pequeno lugar tranquilo que abandonara por acha-lo aborrecido.Preferia o aliciante da luta quotidiana na sua profissão,preferia aquelas reuniões a que assistia onde proliferavam bonitas e alegres raparigas dispostas a passar o tempo melhor possível.Por agora,tudo aquilo o encatava.
Mais tarde teria tempo para pensar seriamente no casamento.Estivera apaixoado por Marta, é verdade.
Fora a sua primeira paixão e talvez tudo se baseasse nisso e ali,naquele lugar,onde a vida era tão diferente,cada um se entregasse ao amor acreditando que fosse o mais forte que poderia existir na vida.Pelo menos,agora pensava assim.
A menina Monica?
Esperou e depois ouviu uma voz bem timbrada que perguntava:
Quem fala?
Quem haveria de ser?
Porventura esperavas outra chamada que não fosse a minha?
Oh!Lucas...!claro que não,tonto.
Então,pretendias fazer-me ciúmes?
A minha pergunta não tinha que se referir forçosamente a um homem,tenho muitas amigas.
Ambos riram-se e Lucas,perante aquele riso,esqueceu-se por completo da carta da Marta e de que por um momento se sentira sentimental.
posted by oromo at 8:07 p.m.

0 Comments:

Enviar um comentário

<< Home